terça-feira, 13 de março de 2012

Brincadeira: a linguagem da infância



Ilustrações: Marcos Garuti


Quando se pensa no universo infantil, brincar é coisa séria. É por meio de jogos, fantasias e, sobretudo, da criatividade que as crianças se relacionam entre si e com o mundo. Além do caráter lúdico, essas atividades estimulam o divertimento e o aprendizado dos pequenos.
Em artigos inéditos, as educadoras Adriana Friedmann e Santa Marli Pires dos Santos debatem a importância do brincar e analisam como cantigas e brinquedos tradicionais, que carregam a cultura brasileira em suas raízes, incentivam o desenvolvimento da criançada.
(Fonte: página da revista)
Acesso completo em:
http://www.sescsp.org.br/sesc/revistas/revistas_link.cfm?Edicao_Id=429&Artigo_ID=6477&IDCategoria=7477&reftype=2

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Nossas Pesquisas: notas de campo

Leia aqui fragmentos das pesquisas desenvolvidas pelos diversos pesquisadores do grupo. Maiores detalhes no link "Páginas/Nossas Pesquisas" (canto superior) desse blog:

"O Ser criança em uma região da Zona da Mata Mineira"

- João Pedro tem 08 anos, nasceu e vive atualmente numa comunidade da Zona da Mata de Minas Gerais de aproximadamente 800 habitantes. Assim como as demais crianças da localidade brinca de:

. o pique-pega, pique-ajuda, pique cola; jogar queimada, jogar “beti”, jogar bola (“bater pelada”), correr na grama, andar de bicicleta, jogar bola de gude.

- A praça é o lugar preferido na comunidade.

- Na Sexta-Feira da Paixão busca leite distribuído de graça nas fazendas mais próximas.

- No Sábado de Aleluia ajuda a roubar as prendas para ser oferecidas ao Judas (que será queimado no Domingo de Páscoa).

- Participa das tradicionais festas religiosas e das procissões, a mais importante é a Procissão do Enterro.

- Desde pequeno vai às benzedeiras para curar o quebrante e o vento virado (três vezes).

- Tomou água de chuva na sineta da igreja porque estava demorando para aprender a falar.

- Está aprendendo com os outros moradores, principalmente os mais velhos que: se a galinha não desce do poleiro é sinal de que vai chover; bois, cavalos e cabritos espirrando muito é também sinal de chuva; gato espirrando e coçando muito é sinal de mudança de tempo; cigarras cantando é sinal de tempo bom.

- Já conhece alguns provérbios e está aprendendo outros que ajudam a prever o tempo: “Sapo coaxando, sol chegando”/ “Sapo cantando em voz alta, sinal de chuva sem falta”;“Andorinha voando baixo é sinal de mau tempo. Andorinha voando alto é sinal de bom tempo.”; “Cerração baixa, sol que racha”; “Céu pedrento, chuva ou vento”;“Vermelha alvorada, chuva mal encarada." E quando ameaça uma chuva forte sabe que é bom: queimar palha benta; jogar cinza na benta na chuva; acender vela benta; quando está caindo chuva de granizo jogar uma 'penera' de taquara no terreiro, porque tem uma cruz."

Notas de campo retiradas das pesquisas LOPES, Jader J. M. “Penerando” a Chuva: pressupostos para uma prática etnogeográfica e endocultural. UFJF e LOPES, Jader J. M. Infância Migrante: Lugar, Identidade e Espaço Escolar. UFF. O nome acima é fictício

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Cartografia com Crianças

Cartografia com Crianças
(...) as recentes pesquisas desenvolvidas por nós (Crianças na Paisagem: palavras e processos espaciais, CNPq, 2009-2011) nos levam a algumas considerações em um trabalho cartográfico com crianças pequenas deve pautar-se e que gostaria de agora afirmar: . as crianças “mapeam” o que conhecem...nem sempre o que vêem; . as crianças ao construírem seus mapas usam por base a linguagem oral, eles constroem suas representações em estreito encontro com a linguagem oral, por isso “explicam”, “falam” sobre o que desenham; . nos processos de representações, as relações dialógicas estão muito presente, sejam nas interações entre crianças ou entre adultos, assim, uma fala de uma determinada criança no momento em que estão produzindo um mapa de um local, pode interferir de forma muito forte nos desenhos de outras crianças e vice-versa; . ao desenharem os locais as crianças constroem estratégias de representações que são singulares e devem, por isso, serem consideradas a partir de suas lógicas no mundo e não como uma falta ou problema a ser superado; . os mapas das crianças buscam evidenciar o movimento presente nos seus cotidianos, elas não representam o estático somente, as formas e objetos da paisagem, mas os processos que ai ocorrem também; . as pessoas e animais são sempre destacados nos desenhos, as formas na paisagem (em grande parte) aparecem acompanhadas de vida, seja ela qual for. *******************************************************************************************

Notas de Campo

O que vocês estão fazendo?

Referenciando ao fato das crianças subirem pela rampa do escorregador no sentido contrário da escada.

Subindo o escorregador. Foi a resposta.

Mas por aí? Indaguei.

A gente consegue! Outro me disse.

Posso tentar também? Perguntei.

Não, você não pode – disse um dos meninos. Por que não?

Você é criança? Outro me perguntou.

Não, mas acho que consigo! Respondi.

Então não pode.

E qualquer criança pode? Perguntei.

Claro que pode, se conseguir né.

E por que subir por aí?

É que aqui a gente usa as pernas e os braços.

Mas na escada também.

Na escada não, só as pernas!

Fonte: Pesquisa Crianças na Paisagem/GRUPEGI

Notas de campo

Dois meninos pegam uns engradados vazios de refrigerante. Um deles entra dentro da caixa e o outro começou a empurrar fazendo um som de carro. Eu estava próximo observando eresolvi perguntar: O que é isso? Um carro? Apontando para o engradado. O menino que estava de fora me respondeu: “Não...É uma caixa de cerveja”. Rapidamente questionei apontando para o menino que estava dentro da caixa: “Então ele é uma cerveja?” “Não...Ele é uma criança, não tá vendo?” Eles retornam à brincadeira. O menino que estava dentro pulou para fora e disse para o outro: “Agora eu empurro o carro, entre lá dentro”. Fonte: Pesquisas na Paisagem/GRUPEGI

Notas de campo

O que você está fazendo aí? Perguntei a um garoto de 6 anos, atado ao mural de uma porta aberta, suspenso pelas pernas, situadas uma em cada um lado da porta, o que o mantinha “suspenso” na parte mais alta da mesma, com a cabeça encostada quase na madeira que faz o fechamento da parte de cima. A resposta foi imediata:

- Estou vendo TV a Cabo!

- Tv a Cabo? Onde viu isso?

- Com meu amigo o (citou o nome),

a gente vê tv a cabo na

porta da sala da escola.

(observação cotidiana, outubro de 2006)

Paisagens de Infâncias, Territórios de Infâncias e Crianças, Lugares de Crianças

Espaços de Crianças e Infâncias pelo mundo: Acesse imagens de espaços destinados às crianças em vários locais do mundo. Mais imagens no link páginas.

Locais de Infância no mundo

Locais de Infância no mundo
Espaço de Crianças - Luxemburgo

A Organização do Espaço em Instituições que acolhem crianças pequenas

Uma das questões mais debatidas em nossos encontros com profissionais que trabalham com crianças pequenas é a organização espacial desses locais. Vamos postar aqui algumas considerações advindas de nossas pesquisas e exemplos de organizações espaciais para crianças em vários países do mundo, esperamos que essas referências possam contribuir com os arranjos espaciais para o cotidiano das crianças.

Organização do Espaço-Paredes

Organização do Espaço-Paredes
Na Creche UFF os cabides afixados nos corredores recebem símbolos criados pelas crianças e seus nomes registrados por adultos. Essa atividade proporciona orientação e localização espacial para as crianças e faz parte do processo de letramento cartográfico construindo, ainda, a noção de legenda, de representação.

Organização Espacial - Planta Creche UFF

Organização Espacial - Planta Creche UFF
O espaço da creche UFF foi organizado de forma a promover a autonomia das crianças em seus deslocamentos espaciais, possibilidades de orientação, localização e integração entre todos. Maiores detalhes no site da creche.

Cantos de Descanso

Cantos de Descanso
Escola Waldorf em Juiz de Fora/MG-Brasil

Cantos para Crianças

Cantos para Crianças
Espaço para as crianças na biblioteca municipal de Siegen/Alemanha.

Os cantinhos de Freinet

Os cantinhos de Freinet
Os cantinhos propostos por Freinet tem sido uma forma de organizar o espaço nas salas de educação infantil em vários lugares do mundo. São locais dentro do espaço da sala que abrigam móveis, livros, brinqueos e outros objetos temáticos, de acordo com o interesse do grupo, assim podemos ter cantinhos de literatura, o cantinho de artes, o cantinho do descanso, entre outros, podendo ser fixo ou móveis. O importante é que permitam a circulação e atuação da Crianças. (Fonte: Educação Infantil: A Construção da Prática Cotidiana- SE de Juiz de Fora)